MMA : um negócio da Índia

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Foi Ratul Mukherjee, um Judoca de nível internacional,o primeiro à manter um ginásio de artes marciais com ênfase no MMA na cidade de Kolkata, estado de West bengal, na índia. Tratava-se do MMA Bengal.
Entre 2010 e 2011, ele me pedia para escrever sobre a resistência que estava encontrando para participar de eventos de MMA nos EUA,visto que estava negociando lutas para ele e seus atletas com o King Of The Cage, embora sem obter êxito em sua empreitada.
Posteriormente ele firmou uma parceria com equipes de MMA dos EUA, tais como a de Braden Johnson, no Arkansas e outra em Tampa, na Flórida.

Ratul também se tornou co-promotor da empresa Working With Rajimi MMA International, que foi o primeiro grupo de empreendimento misto entre Índia e os EUA para promover a participação de lutadores dos dois países em eventos por todo mundo.

Empolgado com a possibilidade de promover eventos de MMA na Índia ( país de mais de 1,2 bilhão de habitantes ) Ratul se aproximou da ISFA ( International Shoot Fight Associantion ) dos EUA e também fundou a Índia Council Of Fight Federation MMA em seu país.
Atualmente as promoções de MMA no país são supervisionadas pela AMMAI ( Associação de Artes Marciais Mistas da Índia ).

Mas os ventos só começam a soprar à favor do MMA na Índia quando os milionários indianos Raj Kundra,o famoso ator indiano Sanjay Dutt e o manager Ken Pavia criaram a primeira promoção de MMA naquele país, a Super Fight League em Janeiro de 2012, realizando o primeiro show da franquia em 11 de Março do mesmo ano, em Mumbai.
Dando continuidade ao show, a jaula do SFL foi novamente armada em Chandigarh, menos de um mês após a sua primeira edição e desta feita a audiência caiu de 300 mil para apenas três mil pessoas no Youtube. Uma queda vertiginosa.

Contudo, o objetivo dos donos da franquia era conquistar a população do país e “furar o bloqueio” do críquete na Índia. Assim sendo, eles não desistiriam na primeira dificuldade encontrada.
A reabilitação do SFL viria na edição seguinte, em Nova Déli, Capital do país, quando na noite do domingo, 6 de maio de 2012, um público de 12.200 pessoas lotou o ginásio Indira Gandhi para acompanhar o evento que ( ainda ) almeja ostentar a grandiosidade de um UFC.

Existe um farto mercado para o entretenimento no Oriente. Basta lembrar que inspirados na Hollywood dos EUA, os indianos criaram a sua versão daquela indústria cinematográfica, Bollywood, que distribui suas películas por vários países da Ásia.

Bollywood, aliás, “ compartilha ” várias de suas musas para shows à parte na abertura dos eventos de MMA na Índia, país que, não custa lembrar, é tido por alguns historiadores como local de surgimento de algumas das principais artes marciais da atualidade. Em particular, o Jiu-Jitsu.

Mas nem tudo na vida são flores e a franquia pioneira começou à sofrer perdas. A primeira baixa do SFL veio com a prisão de um dos seus donos, Sanjay Dutt .
Ator, produtor e político, Sanjay fora condenando à 5 anos de prisão devido à um ataque terrorista realizado em 1993, um dos maiores da história do País.

O próximo à sair foi Ken Pavia, alegando “razões familiares”.

Único dono do evento ( na prática ), desde então, Raj Kundra tentou contornar a situação e tentou afastar a imagem do ex-sócio ( Sanjay Dutt ) do SFL.

Raj Kundra conseguiu então o apoio de Mary Kom, uma atleta 5 vezes campeã mundial de boxe feminino, além de campeã olímpica na mesma modalidade e à tornou a nova embaixadora do SFL.

O apoio ao MMA na Índia só cresce desde então. O SFL assinou contrato com a ESPN para a transmissão de seus eventos que terá a duração de 5 anos e foi definida uma parceria com a ESPN STAR Sports ( agora Fox Sports ), através da divisão regional, ESPN Software Índia. Anteriormente o SFL já era exibido pela Neo Prime na Índia e pelo YouTube para o mundo inteiro devido a um contrato de 3 anos entre a promoção e o site.

Atualmente, o Super Fight League é patrocinado, também, pela PACL Índia Limited ( Pearls ) e poderá ser chamado de Pearls Super Fight League durante os três anos de patrocínio com esta empresa imobiliária. Eles também anunciaram uma parceria estratégica com a Provogue, para comercializarem produtos conjuntamente.

Por ser um show itinerante e estar sempre se deslocando, o SFL passou à idealizar eventos de vários calibres, tanto semanais quanto quinzenais, realizados propositalmente em ambientes de pequenas proporções para um público seleto, bem como continuará com os tradicionais eventos mensais realizados em ginásios que comportem um número bem maior de pessoas.

Por também promover um reality show ( SFL Challengers ) e apoiar bastante sua divisão feminina, o SFL também se aliou ao Invicta FC para intercambiar suas lutadoras.

Até a data que escrevo este artigo, o SFL já realizou 78 edições distribuídas entre Mumbai, Chandigarh, Nova Deli e Nasik.
Os próximos shows serão realizados nos dias 24 e 25 de Fevereiro de 2017, respectivamente, e ambos terão lugar no Siri Fort Sports Complex, Nova Deli, Delhi, Índia.

A franquia indiana sempre se preocupou em internacionalizar os seus  “ cards ”  desde os seus primeiros dias, já tendo assinado com atletas tais como : Jeff Monson , Satoshi Ishii , Rameau Thierry Sokoudjou , Michael Page , Todd Duffee , Trevor Prangley ,Paul Kelly , Xavier Foupa-Pokam , Baga Agaev e Lena Ovchynnikova , dentre outros que já competiram no Super Fight League.

Por ser um país com a cultura das artes marciais enraizada, ter a poderosa indústria cinematográfica indiana como aliada e o dinheiro do mercado do críquete á sua volta, a Índia é mais uma candidata ao posto de “ Las Vegas do Oriente ”.

Pode até parecer lugar comum em meus artigos, mas não custa nada lembrar que o próprio UFC já demonstrou interesse no País e que os títulos de campeões das categorias pena, meio – pesado e pesado do SFL ( que já estiveram vagos ) bem que poderiam ser disputados por lutadores brasileiros, desde que algum empresário nacional tenha a visão de lançar seus contratados neste que poderá vir à ser um dos mercados de MMA mais movimentados no futuro.

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