Lutadores que poderiam ter feito o show do primeiro UFC da história

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A noite de 12 de novembro de 1993, em Denver, Colorado,EUA, entrou para a história por ter marcado a maior revolução da história das artes marciais : o antes e o depois do Ultimate Fighting Championship. A história já é conhecida de cor e salteado por todo amante do MMA que se preze.
Contudo, antes da noite do UFC1, muitas barreiras foram superadas, tais como a rejeição pelos canais de Pay-Per-View, caso do Showtime,HBO e ESPN,e o estudo da legislação de locais para a realização do Show ( inclusive, cogitou-se que o UFC 1 fosse realizado na cidade do Rio de Janeiro ) até se chegar ao lugar ideal, visto a Comissão Atlética do Estado do Colorado ser a única que permitia a realização de lutas de mão limpas.
A SEG : Semaphore Entertainment Group ( Bob Meyrowitz, Campbeel McLaren e Michael Abramsom ) e a WOW : War Of Worlds ( Rorion Gracie e Art davie ), foram as companhias pioneiras que se uniram para nos proporcionar um Show ímpar.
Entretanto, o esporte poderia ter tido uma dinâmica diferente desde essa sua primeira edição se Art Davie ( também casamenteiro das lutas ) tivesse contratado todos os atletas abordados  inicialmente.
Art tinha planejado contratar alguns dos grandes medalhões dos esportes de contato e artes marciais em geral, não se restringindo à estes ou ainda aos estilos consagrados na ocasião. Ele tinha a idéia de convidar todos à participar.
Quanto mais exótica a arte, quanto mais letal a sua reputação, maior era o interesse em incluí-la no evento. Vocês se surpreenderiam com a participação de atletas vindos do Bando, Lima Lama, Kuk -Sool-Won ou Penjak Silat, que quando não se apresentaram posteriormente no próprio o UFC o fizeram nas inúmeras organizações de MMA que surgiram no seu rastro.
São alguns destes nomes que compartilho com vocês,seguidas das razões para uma provável contratação, o que daria ao esporte – já naquela ocasião – uma cara bem mais próxima da modalidade que conhecemos nos dias de hoje ( em minha modesta opinião ) vide as técnicas que tais atletas poderiam ter demonstrado na arena de oito lados.
Bart Vale  : Um bom ” Shootfighter “, competição no estilo ” Vale Tudo ” que já era realizada no Japão. Participou posteriormente ( junto com Renzo Gracie ) do WCC, assim que Kathy Kidd se desligou do UFC e passou à  engajar-se na realização do novo evento, contratando-o.
Herb Perez : Medalhista de ouro olímpico (1992) em taekwondo. Recusou -se à particiar do evento, pois este não era oficialmente legalizado. Esta mesma razão levou Chuck Norris à recusar os serviços de comentarista para a TV norte-americana.
Benny “The Jet” Urquidez  : Representante de um estilo próprio, o Ukidkan, foi Rei no Full Contact e Kickboxing, tendo confrontado-se ainda contra lutadores de Muay Thai. Quase chegou às vias de fato com Rorion Gracie fora dos ringues. Se recusou à lutar contra os amadores escalados para a competição.
Dennis Alexio : Conhecido por interpretar o irmão de Jean-Claude Van Damme no sucesso do cinema : Kickboxer, desligou o telefone antes de ouvir toda a proposta de Art Davie. Na ocasião já era considerado o melhor peso pesado ​​do mundo em Kickboxing.
Peter Aerts :  O kickboxer europeu especializado em Muay Thai também estava na lista de desejos de Davie, mas não houve um acerto financeiro. Depois disso brilhou na Europa e Japão, onde conquistou o K-1 e estreou posteriormente no MMA pela mesma organização.
Emin Boztepe : Um estilista de Kung Fu versado na arte do Wing Chun que era presença constante nas revistas de artes marciais, como a Black Belt, onde cultivou uma reputação de invencibilidade em artigos e anúncios. Na prática bateu em William Cheung ( um dos principais alunos do famosos Ip Man, patriarca do estilo ),utilizando -se do Ground and Pound, visto também ser adepto do Wrestling. Uma ação judicial inviabilizaria sua participação no torneio.
Mitch “Blood” Green : Outro ” Bad Boy ” da época. Considerado um ” artigo de luxo ” para o primeiro UFC por ter empatado com Mike Tyson nos ringues de Boxe e brigado na rua com o mesmo em frente à uma loja de roupas no Harlem. Assim como Peter Aerts, ficou de fora devido à taxa estipulada para a sua aparição ( direitos de imagem ) que chegava à casa dos cinco dígitos. ( leia-se US $ ).
Aleksander Karelin : Praticamente um herói da Federação Russa, várias vezes medalha de Ouro Olimpico, dominou o mundo no estlio greco-romano. Conhecido como o “Experiment” haviam rumores dele ser um produto da ciência russa. Seria o primeiro representante do Wrestling à aparecer no MMA e teria complicado a vida de qualquer representante do Jiu Jitsu brasileiro. Contudo, ele era um lutador muito caro para o orçamento da companhia. Só participaria de um MMA em 1999, quando enfrentou Akira Maeda, fundador do Rings em luta válida por este evento no Japão.
Obviamente, várias nomes foram omitidos da relação acima, como Alberto Cerro Leon ( primeiro europeu a ganhar o Campeonato Mundial de Penjak Silat em Jacarta, Indonésia ) e dos lutadores de Boxe, tais como Randall Cobb, Mark Gastineau ( também jogador de Futebol americano e membro do Hall da Fama da NFL ) e mesmo Mike Tyson ( que estava cumprindo pena em uma prisão de Indiana em 1993 ) e Wrestlers do calibre de Dan Gable ( Treinador e wrestler olímpico ), Mark Schultz e Kevin Jackson ( estes dois últimos ainda seriam contratados em eventos futuros ).
Muitos foram convidados,mas nem todo mundo teve o seu lugar na festa. Pois quando o UFC foi criado, a comunidade de Boxe e artes marciais, do Caratê ao Taekwondo, classificaram o evento como algo muito brutal e um show de horrores.
Hoje, em todo o mundo, centenas de jovens preferem abdicar do sonho de conquistar uma medalha olímpica para se concentrar em outro : participar do maior evento de MMA do Planeta, o UFC.
Por isso temos de reconhecer sempre os esforço destes pioneiros, os três fundadores do UFC: Art Davie, Rorion Gracie ( SEG ) e o CEO, Bob Meyrowitz.
Eles plantaram uma sementinha que germinou em um terreno nem tão fértil mas que a nossa geração, depois da tempestade, começa à colher os frutos da bonança.
Sobre o Autor : Oriosvaldo Costa é cronista esportivo, apaixonado por artes marciais.Pratica Kung Fu desde 1990 e compete no MMA desde 1998.

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