Família poderá receber $ 50 milhões em processo sobre luta que deixou boxer em coma

0 Flares Twitter 0 Facebook 0 Filament.io 0 Flares ×

Please enter banners and links.

O advogado dos pais do boxeador Prichard Colon entrou com uma ação judicial na última quarta-feira ( 3 de Maio ) no Tribunal Superior de Justiça pedindo uma compensação de mais de US $ 50 milhões pelos danos causados ao pugilista porto-riquenho após uma luta realizada há dois anos com Terrell Willians, em Fairax, Virgínia, EUA.

Prichard Colon esteve em estado de coma desde a luta realizada em 17 de outubro de 2015 e permaneceu 221 dias depois em um centro de reabilitação, retornando em Maio de 2016 para a casa de sua mãe.

Naquela ocasião, Richard Colón, pai do lutador, declarou que seu filho ainda estava em coma, mas estável e pesava bem, por isso havia sido liberado para continuar se recuperando em casa.

Agora, o médico da fatídica luta na Arena EagleBank, Richard Ashby, está sendo denunciado por negligência.

Também a Headbanger’s Promotions e a  DiBella Entertainment , co-promotores para o Premier Boxing Champions cujo card teve a luta televisionada pela emissora NBC estão sendo acionados judicialmente.

“Prichard, um promissor jovem boxeador profissional, encontra-se em estado vegetativo na casa de sua mãe, sem perspectivas de recuperar suas faculdades por causa de lesões sofridas durante um evento de boxe”, diz o processo. “Esta lesão poderia ter – e deveria ter – sido evitada se o médico de ringue tivesse cumprido com as normas aplicáveis aos cuidados no tratamento de Prichard durante o evento.”

“A lesão também poderia ter sido evitada se os promotores do evento tivessem garantido  um médico qualificado no ringue, o qual estaria pronto para tratar os ferimentos de Prichard, se eles tivessem implementado um protocolo adequado de lesão cerebral”. Continua o texto do processo.

No início do sétimo round da luta no ´undercard´ precedendo o evento principal ( entre Lamont Peterson e Felix Diaz ), Colon caiu de joelhos segurando a parte de trás da cabeça com a luva direita depois de absorver uma série de socos. Os golpes na parte de trás da cabeça são conhecidos como “socos de coelho”, uma tática ilegal no boxe. Colón então caiu em quatro apoios, levando as duas luvas atrás da cabeça.

Williams ( o adversário de Prichard  ) se afastou de Colon e balançou a cabeça com uma expressão incrédula. De pé em um canto neutro, Williams bateu nas luvas e pareceu estar dizendo à Colon: “Vamos.”

Colón tropeçou em seus pés, segurando a luva esquerda na parte de trás da cabeça enquanto recuava para um canto neutro.

Nesse ponto, Ashby ( o médico de ringue ) examinou Colon e julgou-o apto para continuar. O árbitro Joe Cooper, entretanto, deduziu um ponto de Williams por um soco ilegal.

A luta terminou em desqualificação de Colon antes do 10 º round por causa da aparente confusão por parte de seu corner. Pensando que a luta havia acabado, a equipe de Colón começou a tirar as luvas depois do nono round, antes de perceber que haveria mais um round para ser disputado. Seu corner tentou recolocar as luvas de Colon, mas muito tempo tinha se passado, e Colón recebeu uma desqualificação.

Ao chegar em seu vestiário, Colon começou à queixar-se de tonturas e vomitou. Colon acabou desmaiando, e Ashby o examinou. Os EMTs transportaram Colon para o Fairfax Inova Hospital, onde o lutador foi submetido a uma cirurgia de emergência para um sangramento no lado esquerdo do cérebro.

Como citado anteriormente, Colon não recuperou a consciência e atualmente  permanece sob o cuidado de seus pais, Richard e Nieves Colon, na casa de sua mãe em Winter Park, na Flórida.

“Se você perguntar a um médico em uma emergência, ou se você perguntar a um médico de ringue, a marca de uma hemorragia cerebral é a dor de cabeça e tonturas, e assim o Dr. Ashby nesse momento, teria que ter parado a luta”, disse Ari Casper, o advogado que representa A família Colon,  em uma entrevista por telefone em seu escritório de advocacia em Baltimore.

“Ele tinha que dizer Prichard, ‘Se você quer continuar ou não, meu trabalho aqui é para protegê-lo. Você é meu paciente, e esta luta acabou, e eu tenho que levá-la ao hospital, e temos que estancar um sangramento em seu cérebro. ‘ E se ele tivesse feito isso, eles teriam levado Prichard ao hospital em tempo hábil. Eles poderiam ter controlado o sangramento, e teríamos uma situação completamente diferente agora. ” Continuo o advogado.

Nos dias que se seguiram à luta, o  Virginia Department of Professional and Occupational Regulation (  Departamento de Normas Profissionais e Regulação da Virgínia ) lançou uma investigação que demorou meses e concluiu que não haviam violações atribuíveis à Ashby ou aos promotores. O DPOR ( sigla para Department of Professional and Occupational Regulation ) supervisiona o licenciamento e a regulamentação para uma ampla variedade de eventos de lutas e negócios na Virgínia, incluindo as modalidades boxe, MMA e Pro Wrestling.

David Holland, comissário estadual de boxe para a Virgínia, também investigou o processo e indicou que todo o pessoal da arena, incluindo funcionários e pessoal médico, realizaram o evento de acordo com a regulamentação e que este foi realizado sob o formato mais rígido possível, naquela ocasião.

“Colón foi autorizado a continuar boxeando como se ele não tivesse sua visão prejudicada, lacerações graves, aparentes ossos quebrados ou qualquer outra lesão física óbvia”, diz o relatório DPOR, “e Colon foi coerente, responsável e capaz de continuar por conta própria, depois de ter algum tempo de descanso adicional. ”

As mensagens deixadas à procura de comentários de Ashby, Headbanger’s Promotions e Lou DiBella, executivo-chefe da DiBella Entertainment, não foram respondidas imediatamente. De acordo com as pessoas familiarizadas com os procedimentos ( e que pediram anonimato, porque o litígio está pendente ), os promotores das lutas não são os  responsáveis pelo processo de seleção dos médicos ringue e, portanto,estes  não podem ser responsabilizados.

A atribuição de escolher um médico de ringue, bem como os árbitros de luta é atribuída à comissão de boxe, ou neste caso, a DPOR da Virgínia.

Jornalistas esportivos norte-americanos estão à comentar que este é um dos motivos ( dentre outros ) pelos quais as emissoras de TV daquele país estão relutantes em pagar honorários e direitos de transmissão para eventos de boxe, ao mesmo tempo em que eles investem milhões em outros esportes tais como o futebol americano ( NFL ), baseball, entre outros, uma vez que estas modalidades conseguem ocultar melhor esse tipo de problema, mesmo quando os seus atletas não estão mais em suas respectivas ligas.

Os especialistas esportivos encerram informando aos seus leitores que esse problema poderia ter sido resolvido por seus funcionários competentes.

Agora, a família de Prichard Colon poderá receber US $ 50 milhões de compensação e uma vez que a luta fatídica teve transmissão pela NBC, isso poderá ajudá-los no trâmite do processo.

_

*Texto do colaborador Oriosvaldo Costa

Foto acima : Prichard Colon durante sua luta em17 de outubro de 2015 contra Terrel Williams. ( Foto : cortesia de Patrick Smith / Getty Images ).

Abaixo : Logo da emissora NBC que transmitiu a fatídica luta ´ ao vivo ´.

Related posts

Leave a Comment