Entrevista exclusiva com Bob Júnior da BWF : a força da Luta Livre brasileira

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Um dos maiores nomes do Pro Wrestling brasileiro, diretor técnico da BWF ( Brazilian Wrestling Federation ) , e filho da Lenda Bob Leo, Bob Junior é um lutador clássico, com golpes expressivos. Participou dos maiores eventos, e já lutou por todo o território Brasileiro. Atualmente treina mais de 60 alunos e alguns destes podem vir à ser os novos ícones da modalidade em solo nacional.
Inicialmente,seu intuito com a BWF era injetar a influência do Pro Wrestling de outros países nos shows brasileiros. Hoje leva o estilo da BWF para todo o mundo.
Nessa entrevista exclusiva, Bob Junior falou sobre vários temas incluindo o seu inicio no esporte, um pouco da história da modalidade no Brasil, os rumos da BWF e planos para o futuro.
Confira.

 

1)     Bob Júnior , quando você  começou à treinar e em qual esporte ? Como você decidiu seguir esse caminho  de ser um lutador de Pro Wrestling ?

Resposta – Eu conheci a luta livre quando tinha 6 anos e com 8 anos comecei a lutar, depois pratiquei muitas artes marciais, mas sempre com a intenção de me aprimorar na Luta Livre.

Meu pai era lutador e desde  quando conheci a Luta Livre, nunca me afastei dela, foi amor a primeira vista.

2)    Você sempre teve o intuito de se destacar dos demais e ser um astro do Pro Wrestling ?
Resposta – Sem desprezar ninguém, mas sempre me dediquei para estar entre os melhores, se consegui, não sei, mas sempre me esforcei.

3)    Você lembra de sua primeira luta ? Fale-nos do período em que as lutas  de Pro Wrestling eram uma tradição nos circos e porque estas não são mais realizadas em tais ambientes ?

Resposta – A minha primeira luta eu tinha 8 anos, foi um personagem mascarado no circo Dema em Diadema, a minha primeira luta como Bob Junior , eu tinha 15 anos, foi com o caipira Dom Afonso no circo Lando em Guarujá.
A minha escola foi o circo, não tinha academia, treinávamos no fundo do circo, até os meus 25 anos eu vivia de lutas em circo, lutávamos todos os dias e às vezes duas vezes no mesmo dia. Infelizmente , devido a desvalorização dos circos e da Luta Livre , isto foi acabando aos poucos, mas espero que os futuros lutadores passem por estes momentos mágicos que os circos proporcionam.

4)    Você poderia  falar um pouco mais para os seus fãs sobre a rotina do seu dia à dia e seu treinamento ?

Resposta – Hoje administro , já não sou mais um menino, mas faço musculação todos os dias e Luta Livre 3 x por semana.

5)    Fale-nos um pouco sobre o Pro Wrestling aqui no Brasil entre as décadas de 60 e 80 ?

Resposta – Eu não tive o prazer de viver esta época, mas os lutadores que conheci e que me ensinaram muito, sempre consideravam as décadas de 60 e 70 como a época de ouro da Luta Livre, as décadas de 80 e 90 , a Luta Livre vivia do sucesso das décadas antigas.

6)    Na sua opinião, por que os shows de  Pro Wrestling dos dias atuais não  conseguem repetir o mesmo sucesso do passado ? O que falta ?

Resposta – Apos os anos 90 a Luta Livre brasileira sofreu com empresários que não visavam um futuro, lutadores que não tinham comprometimento e a falta de modernidade foram afastando o publico dos espetáculos e assim a Luta Livre também caiu no conceito das emissoras de TV.
Na minha opinião, estamos conseguindo resgatar esta credibilidade que faltava.

7)    Explique para nossos leitores a diferença entre os estilos de Pro Wrestling, quais sejam o Tele Catch, o Hardcore e o Deatmatch ? Estes dois  últimos seriam os Extreme Rules ? Qual destes é o “ Pro Wrestling sangrento ” ?

Resposta – É dificil explicar, cada um tem um ponto de vista, mas por exemplo, no Tele Catch antigo, o Aquiles mordia a testa de seus adversários para incitar o público contra ele e isto fazia parte do estilo dele, não haviam outros estilos, tudo era Luta Livre. estes nomes vieram agora, nada contra, mas precisamos tomar cuidado para não estragarmos a Luta Livre.

8) Deixe-me ver se entendi. No Brasil este esporte, ou espetáculo, se assim preferir, é chamado de Tele Catch, nos EUA de Pro Wrestling, no Japão de Puroresu e nos países da América Latina de Lucha Libre. Qual desses estilos é mais adaptável ao biótipo do brasileiro ?

Resposta – Nos aqui no Brasil fazemos a Luta Livre ,que tem muito da escola sul americana, mas na BWF já tivemos experiências com vários lutadores de outros países e estilos e os nossos lutadores mandaram muito bem.

9) Você já se machucou nos ringues ? Já participou em alguma ocasião das chamadas “ lutas sangrentas ” que eram da época de seu inicio de carreira aqui no Brasil ?

Resposta – Sim, já me machuquei muito, tenho alguns parafusos nos joelhos, algumas lesões pelo corpo, mas porque na minha época lutávamos muito e assim estamos mais propensos à lesões, quanto às lutas sangrentas, eu não as considero assim, o que fazíamos era dar mais realidade às lutas para mexer com as emoções do publico, eu particularmente adorava fazer um pique ( sangrar ) em algumas lutas, o publico chegava à chorar.

10)    O público aqui no Brasil tem uma preferência em particular por alguma  dessas vertentes do Pro Wrestling que citamos anteriormente ?

Resposta – Hoje , o publico da internet prefere em sua maioria o Pro- Wrestling,
já o publico das quebradas ( House Show ) ainda prefere a Luta Livre.

11)    Fale-nos sobre as mudanças das regras no Pro Wrestling aqui do Brasil e o por que dessas alterações ?

Resposta – As mudanças foram feitas na BWF para podermos acompanhar as regras mundiais e trazer uma modernidade para a Luta Livre.

12)    Conte-nos como foi o surgimento da BWF ( Brazilian Wrestling Federation ) e o que motivou sua ida para esta companhia ?

Resposta – Eu não fui para a BWF, eu criei a BWF. Em 1994 meu pai apresentava o Supercatch, da WWF, na Rede Manchete,assistindo aos programas e fazendo parte da produção do programa, percebi que aquilo era o futuro da Luta Livre, assim, peguei os moldes da WWF e adaptei para a Luta Livre nacional, foi difícil, mas hoje estamos colhendo os resultados desta mudança.

13)    Você trabalhou para outras companhias ( equipes ) antes ? Vê alguma espécie de rivalidade entre as companhias ( equipes ) de Pro Wrestling aqui no Brasil ?

Resposta – Sim , trabalhei para várias empresas , acredito que a rivalidade sempre existiu e sempre vai existir. Desde que seja com respeito, a rivalidade faz bem para a Luta Livre.

14)    O que você diria para as pessoas que costumam classificar os shows de  Pro Wrestling como ´ lutas de marmeladas ´ ?

Resposta – Acho que isto não acontece mais, hoje todos encaram como entretenimento, no passado, se você falasse para um lutador a palavra  ´ marmelada ´ com certeza você arrumava briga.

15)    Quais as cidades e estados do Brasil que já receberam os shows da BWF ( Brazilian Wrestling Federation ) ? Quais os outros lugares do país que estão no roteiro da companhia ?

Resposta – A BWF já passou por Bahia, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, e este ano temos alguns projetos ainda em andamento.

16)    Você promove em média quantos eventos por ano ? Quais são os objetivos para a BWF ( Brazilian Wrestling Federation ) daqui para a frente ?

Resposta – Em média, realizamos 3 shows por mês, e nosso objetivo é crescermos cada vez mais.

17)    Quais são as suas perspectivas profissionais com o Pro Wrestling e em  outros áreas além de seus planos pessoais para o futuro ?

Resposta – Este ano estamos com grandes perspectivas, tenho certeza que será um ano muito bom para a BWF e para a Luta Livre nacional.

18)    Qual o conselho que você daria para os brasileiros que pensam em se aventurar ou seguir carreira no Pro Wrestling ?

Resposta – O primeiro passo é comprometimento com a Luta Livre, sem isso,você não vai à lugar nenhum.

19)    Para finalizar, esse espaço é seu, deixe uma mensagem para os fãs do Bob Júnior e da BWF.

Resposta – Quero agradecer pelo espaço, por tudo que vocês fazem pela BWF e pela Luta Livre nacional.
Nos perdoem por algumas falhas e podem ter certeza que vamos tentar melhorar cada vez mais para e por vocês.
Um forte abraço e que Deus os abençoe.

*Entrevista concedida ao colaborador Oriosvaldo Costa

 

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