Demian Maia vs. Jorge Masvidal: Uma Análise um pouco Emocional

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A previsão pré UFC 211

Xadrez.

Masvidal é um atleta que se reinventou ao subir de categoria. Aqui, os quilos a mais parece ter feito dele uma máquina de lutar. Mais resistente, ele passou a demolir todos seus adversários, sendo o último o queridinho da galera; Cowboy Cerrone. O cara também tem uma boa defesa de quedas, e se vira bem no chão, mas é na luta em pé, onde ele brilha.

Fonte: Mike Roach/gettyimages.com

Damian Maia é um atleta único, não por ser um campeão, porque ainda não teve essa conquista em MMA (no jiu jitsu.. já é outra história né), mas sim pela fluidez que aplica não só a arte suave, mas como todo o jogo de grappling, para o MMA. Ninguém faz isso melhor que ele, ninguém. Contudo, sua habilidade na luta de pé, o famoso Striking, é apenas regular, sendo usado apenas como uma ferramenta para que sua magia, que é o seu jogo de grappling, seja posta em ação.

Quem ganha? Aquele que conseguir colocar seu jogo em prática, ou aquele que conseguir frustrar o jogo do adversário. Masvidal precisa conseguir manter a luta no alto, onde pode conseguir a vitória pela via fácil, dado a sua polivalência de técnicas de trocação. Já Maia, precisa encurtar e derrubar, mesmo que não seja capaz de finalizar (principalmente com o passar dos rounds, que tornarão a finalização um final mais difícil), manter o adversário por baixo, além de pontuar e cansa-lo, deixará Masvidal cansado. Quem vai conseguir? Eu apostaria no Maia, porque ele já mostrou que é capaz de suplantar trocadores perigosos, coloca-los de bunda no chão e anotar mais uma vitória no cartel.

A conclusão pós UFC 211

Xadrez.

Não sei o que aconteceu, mas o Damião entrou mancado, e isso pareceu “piorar” à medida que a luta se desenrolava. Isso fez alguma diferença? Nenhuma. Quando Masvidal disse que o Demian é um lutador unidimensional, ele se referia-se a isso como um elogio disfarçado de crítica negativa – mesmo que talvez ele não tenha notado isso. A questão é: Demian Maia nem ligou para isso. É verdade que o mexicano é um trocador perigoso, potente que alterna as alturas, usa boas fintas – que atingiram o brasileiro algumas vezes, mas nada pode parar o caminhão que é Demian Maia no chão. Ficou claro que a unidimensionalidade do brasileiro é fora de série, é única. O cara é uma cobra, ele joga um single leg; Masvidal defende, mas no mesmo momento o brasileiro se adapta se enrosca no adversário, e em um piscar de olhos, está lá, nas costas do cara, e cara no chão.

Essa é a diferença entre Damião “A Cobra” Maia e Ronaldo “Jacaré” Souza: o primeiro é um réptil retrátil, que se enrrosca no adversário e impede que ele faça qualquer coisa, mesmo que não seja capaz de estrangula-lo – coisa que é sua arma mais perigosa, o segundo precisa de um bote perfeito, pra usar de sua força monstruosa, mas não se adapta, não é fluido como o MMA pede, ou melhor; como ele exige.

O brasileiro dominou a luta inteira, mesmo vencendo em uma decisão dividida (que eu discordo completamente), dominou o combate, impediu seu adversário de fazer o seu jogo, o colocou em posições que o farão chorar de terror todas as noites. O primeiro round foi seu, encurtou, trabalhou e dominou, montou, mochilhou, quase finalizou – mérito do adversário, que como o próprio Maia falou, foi um dos lutadores mais duros que ele já enfrentou. O Segundo round foi mais duro, Masvidal conseguiu manter a média para a longa distância, onde seus chutes o mantiveram protegido, contudo, a experiência e o DNA réptil falaram mais alto, um sprawl não importa, ele se adapta, e quando Masvidal notava, lá estava ele, de costas para o chão. O terceiro round exibiu um Damião mais cansado, mas seu adversário também. Dançou, rodou para o lado certo (por quase todo o tempo), esperou seu adversário dar um mole, e grudou – não só isso, o arremessou para longe e partiu para a vitória. Aos 1:47 do terceiro round, Demian Maia estava nas costas do adversário e, passou todo o tempo, até o fim da luta, tentando levar o pescoço de Masvidal para casa. Não levou, mas levou algo mais importante: um Tittle Shot.

A decepção de Masvidal foi nítida, imagino que por ele saber quão unidimensional o adversário era.. e quão único isso faz ele ser.

Próximo passo, a Cobra se enrolando com o Escolhido.

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