A Aranha contra o Tempo – Uma análise não tão precisa de Anderson Silva vs. Kelvin Gastelum

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Anderson e Kelvin se enfrentam no dia 3 de Junho.

O UFC 212 acontece no dia 03 de Junho, em um sábado no Rio de Janeiro. O card já vinha recebendo lutas interessantes além, claro, de seu evento principal, a disputa do título de Peso Pena (Até 66 kg) entre José Aldo e Max Holloway. No dia 12, no entanto o evento ganhou uma nova luta. No dia anterior, após derrotar Vitor Belfort, no UFC Fight Night 106, o peso meio-médio Kelvin Gastelum, que foi obrigado a subir de categoria, desafiou Anderson Silva – o popular Spider, para sua próxima luta. Anderson rapidamente aceitou e, nos dias que se seguiram rapidamente a mídia e o UFC se mobilizaram adicionando esta luta ao card do próximo UFC Rio.

Gastelum surgiu para o mundo como o vencedor da décima sétima edição do The Ultimate Fighter, o famoso TUF, após derrotar o até então favorito da edição Urijah Hall em uma decisão dividida. Logo após o termino do programa, já com seu contrato assinado, Kelvin anunciou que desceria para o peso meio-médio (Até 77kgs), já que havia disputado, e vencido, a edição na categoria de cima, o peso médio (Até 84kg). Na categoria onde seu tamanho e peso mais se adequavam Gastelum se mostrou implacável vencendo seis de suas oito lutas, contra nomes de peso, como Rick Story, Jake Ellenberg e o ex-campeão Jhonny Hendricks.

Apesar disso, suas duas derrotas deixaram um gosto amargo em sua boca. O atual campeão Tyron “The Chosen One” Woodley, o venceu em uma decisão dividida – contestável para alguns, em uma semana onde Gastelum teve grandes problemas com seu corte de peso. O mesmo aconteceu quando foi derrotado por uma finalização finíssima de Neil Magny, um nome secundário dos meio-médios, que apesar de carismático está trilhando seu caminho ainda. Após essa derrota, o presidente do UFC, Dana White, intimou a jovem promessa a subir para o peso médio. Feito isso, na não tão nova categoria assim, Kelvin enfrentou um Top 15 em sua estréia: Tim Kennedy. O all american Kennedy, não lutava há mais de um ano e meio, e foi totalmente dominado até sofrer um TKO do “Pequeno Caín”, como alguns chamam Gastelum por ter um estilo parecido com o do ex-campeão dos pesados Caín Velásquez.

Sua última vitória foi contra um ícone do MMA, ele enfrentou Vitor “o Fenômeno” Belfort em Fortaleza, derrotando-o de forma brutal, ainda no primeiro round. Com essa vitória Kelvin demonstrou que está preparado para grandes desafios – talvez só não contra a balança.

Gastelum apesar de pequeno para os Médios – ele tem 1,75m e parece “gordinho” lutando lá, demonstra muita resistência e poder de nocaute, tendo vencido suas duas últimas lutas pela via rápida (bom, houve interrupção do árbitro, mas frutos de seus golpes). Talvez possamos creditar parte disso ao seu QI de luta capaz de seguir bem as estratégias bem traçadas por sua equipe, a KINGS MMA – outro fator de grande impacto na sua carreira, que vem refinando as habilidades, tanto na luta agarrada quanto na luta em pé. Ele demonstra ter um estilo empolgante dentro do octógono, buscando sempre ter a inciativa, sendo muito agressivo, seja para trocar golpes com seu adversário ou para pressioná-lo com sua luta olímpica de grande qualidade, e isso é inclusive um ponto alto do seu jogo: as diversas valências de habilidades que é capaz de utilizar ao mesmo tempo.

Anderson “Spider” Silva, a lenda do MMA, tem uma carreira icônica, que pode ser traçada desde o Shoto, no extinto Pride, passando pelo Cage Rage até chegar ao UFC, onde se tornou um ícone do esporte que todos conhecem hoje em dia. Anderson fez história não só por seu carisma, mas por suas habilidades de striking criativas e, muitas vezes, mortais dentro do cage. Por muito tempo foi considerado o melhor lutador do mundo, não apenas do UFC e, mesmo hoje com 42 anos, muitos ainda o consideram assim. Sua carreira é repleta de vitórias incríveis, Highligths nostálgicos e momentos marcantes para o MMA. O Spider não vem em uma fase boa, desde que perdeu seu título para Chris Weidman no UFC 162, em 2013, principalmente pela grave lesão que teve logo na revanche contra Chris Weidman e, também, com o dopping pós luta com Nick Diaz – que fez sua vitória virar uma luta sem resultado. Vale citar também a polêmica derrota por decisão unânime para Michael Bisping (o atual campeão dos Médios), até recentemente conseguir uma vitória contra Derick Brusson, que também gerou alguma polêmica por alguns terem visto vitória do americano.

Anderson é conhecido por seu estilo provocador, ainda que suas últimas lutas desde sua lesão tenham mostrado uma pequena mudança nesse sentido. Sua criatividade, precisão, sua capacidade de absorção de golpes, noção de distância e timing são o que o fizeram famoso. Além disso, ele conta com seu tamanho, que mesmo para os Médios é incomum.


Então, pergunto a você, leitor aqui da TvFight, quem deve levar essa luta?

Depois de lerem um pouco sobre os dois lutadores, mais sobre o jovem Gastelum, já que todos sabem um pouco sobre o Anderson, querendo ou não e, compreenderem o contexto para esse embate, peço que permitam-me fazer uma pequena análise desta luta, e finalizar com minha opinião sobre quem sairá triunfante.

Qual é o ponto forte de cada um?

Primeiro, o ponto forte é a área onde ele se destaca, onde tem maior conhecimento e técnica. Anderson Silva é conhecido por sua trocação, seja ela proveniente do boxe, muay thay ou taekwondo.

Já Kelvin Gastelum é um wrestler poderoso, um praticante da luta olímpica, que consiste em dominar o adversário, derrubando-o e controlando-o no chão.

Como cada um trabalha seus pontos fracos?

Gastelum demonstrou logo que surgiu para o mundo do MMA que possui potência em suas mãos, mas não podia ser considerado um bom trocador. Contudo, desde que começou a treinar na KINGS MMA, a academia do Mestre Rafael Cordeiro, sua capacidade de lutar em pé, trocando golpes com um adversário evoluiu nitidamente, a ponto de derrotar strikers famosos em seu próprio campo.

Por outro lado, Anderson sempre foi criticado por não evoluir seu jogo de chão, suas defesas de quedas, se mostrando sempre vulnerável a lutadores que buscam a luta de solo – ainda que tenha conseguido algumas vitórias por finalização, seu “chão” sempre deixou a desejar principalmente contra wrestlers superiores ou mais fortes. Apesar do discurso recorrente de que ele sempre se dedica a aprimorar sua luta agarrada, seu desempenho não demonstra isso – exceto em sua última apresentação, onde se mostrou muito competente ao evitar as quedas de seu adversário, um wrestler competente, jovem e muito forte.

Como vem a preparação para essa luta?

Spider é um veterano do MMA com quase 20 anos de carreira, e 42 anos completados recentemente. Ele já não pode mais contar com a força da juventude, como ele mesmo declarou em entrevista após sua última vitória. Em contrapartida, o “Mini Velásquez” está no ápice físico, sendo um cara forte e muito resistente. Porém, com 43 lutas no seu cartel, sendo 34 vitórias, Anderson contará com sua experiência contra o jovem Kelvin, que só esteve em 16 combates, sendo derrotado em apenas dois.

Porém um fator determinante para essa luta pode não vir da experiência ou idade e sim da diferença física que é bem clara entre os dois. O americano é muito pequeno para a categoria, além de ser relativamente leve quando comparado aos demais Médios, enquanto Anderson é 13 cm maior, e facilmente 10kgs mais pesado. O alcance de ambos também precisa ser levado em consideração: com 1,83 m de envergadura o “Jovem Leão”, que recentemente ignorou essas diferenças e nocauteou Vitor Belfort, é 15 cm menor que o Spider, que também já teve o mesmo êxito no passado.

Uma conclusão?

A luta deve percorrer dois caminhos: o de menor resistência ou o de maior. Gastelum sabendo que seu carro forte, a luta agarrada, é a maior fraqueza de seu oponente, um homem de 42 anos, fisicamente inferior a um cara jovem como ele, não deve ter problemas para encurtar a distância e derrubar, ou fazer um jogo de grade esperando criar um desgaste maior no Spider, evitando assim que na sequência da luta seu striking tenha toda a qualidade que teria caso não tivesse sua energia minada. Por outro lado, caso Kelvin decida tentar lutar no campo do adversário – talvez ele até seja obrigado a fazer isso, já que é menor e precisará conseguir se aproximar de Anderson, ele correrá sérios riscos de ser mais um nome no cartel de vitórias por nocaute do ex-campeão dos Médios.

Contudo, porém, todavia e no entanto, não se esqueçam que apesar da juventude e da ótima academia onde treina, Gastelum não é um striker e, para piorar estará lutando contra um contra-golpeador que aproveitará todo o ímpeto e agressividade que o americano mostrar. Mesmo que o Anderson Silva de hoje não seja mais aquele que era considerado o melhor do mundo, se Gastelum se abrir, buscando encurtar distâncias ou mesmo em prol de ataques potentes, pode ser fatal para Kelvin. Forrest Griffin, por exemplo, sabe muito bem sobre o que falo.

Em contrapartida, uma vez que o brasileiro seja pego, derrubado ou levado para a grade, sua sobrevida no combate estará seriamente prejudicada. De costas para o chão seu jiu-jitsu defensivo se mostrou eficiente contra Daniel Cormier (campeão dos Meio Pesados, a divisão de peso até 93kgs), mas ainda que consiga evitar ser apagado ou finalizado isso custará muita energia, coisa que não é mais tão abundante em seu corpo. Na grade, a história não é tão diferente, já que o dirty boxe aliado à força física e habilidade na luta olímpica extraem do adversário muita energia também, o que causará ao Spider bastante problemas.

Pra finalizar, não podemos ignorar que será uma luta de três rounds, e não de cinco. O que por um lado pode ser um alívio para o vovô brasileiro, pode reduzir o tempo para que ele reaja caso comece levando a pior na luta. Por outro lado, para Kelvin três rounds podem não ser o suficiente para que o Spider drene toda sua energia, o que o colocaria em risco enquanto a luta permanecer em pé.

Dito tudo isso, consigo apontar três resultados possíveis:

1) Gastelum entra pilhado, com uma estratégia bem definida por sua equipe, ele rapidamente chega no in fight e cola no Anderson, primeiro o leva para a grade e cansa seus braços, depois, talvez já no segundo round, com seu adversário já cansado, derruba e vence por TKO, ou talvez por decisão unânime, caso o brasileiro consiga resistir aos golpes do americano.

2) Gastelum também entra pilhado e com a estratégia bem definida, mas encontra um Anderson Silva atento e bem treinado que consegue repelir suas tentativas iniciais de quedas ou seu jogo de grade. Em uma luta de três rounds, o desgaste não é tão grande quanto em lutas principais, que tem cinco rounds, por isso seu jogo de grade, ou de quedas, mesmo que demore até começar a surtir efeito pode além de sugar a resistência do ex-campeão, pontuar para dar ao americano uma decisão unânime, conquistada ponto a ponto.

3) Gastelum continua entrando pilhado, com sua estratégia bem definida, ele procura a trocação para conseguir colar em Anderson, o in fight é o caminho ideal para conseguir uma queda ou levá-lo até a grade, mas com lampejos do antigo Campeão, Anderson aproveita a agressividade do americano, que se abre no seu ímpeto, e aplica seu jogo de contra-golpe. Esse cenário é mais plausível de ocorrer no primeiro round, em um vitória rápida via TKO ou mesmo KO.

Bom, vocês concordam? Veem outras possibilidades? Desses três cenários eu tenho meu “preferido”, e vocês?

A, e se o Kelvin ganhar vale a pena dar a ele um apelido? O que vocês acham de Kelvin “O Aposentador” Gastelum? Será o terceiro e em sequência!

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